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Os sinais do humor eleitoral

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:07 Jornal do Brasil/RJ


Não são cinco as regiões brasileiras. Há o Brasil do Norte/Nordeste e o do Sul/Sudeste. O Centro-Oeste às vezes descamba para um lado ou outro. Com o início do ano eleitoral, pesquisa Datafolha mostra que o país lá de cima tende a votar em candidatos a prefeito apoiados pelo presidente Lula. O de cá de baixo não se deixa convencer pelo cabo eleitoral que hoje administra a nação.

Não são cinco as regiões brasileiras. Há o Brasil do Norte/Nordeste e o do Sul/Sudeste. O Centro-Oeste às vezes descamba para um lado ou outro. Com o início do ano eleitoral, pesquisa Datafolha mostra que o país lá de cima tende a votar em candidatos a prefeito apoiados pelo presidente Lula. O de cá de baixo não se deixa convencer pelo cabo eleitoral que hoje administra a nação.

O levantamento englobou nove capitais. Em Salvador, Recife e Fortaleza, 26%, 38% e 29% dos eleitores afirmaram-se dispostos a gravar nas urnas eletrônicas o nome do preferido pelo presidente da República. Em Florianópolis, contudo, 34% rejeitariam um concorrente que tivesse Lula no palanque, assim como o fariam 25% em Curitiba, 24% em São Paulo, 23% no Rio e em Belo Horizonte e 22% em Porto Alegre.

Os dados não diferem do resultado das últimas eleições presidenciais, quando Lula conquistou o segundo mandato graças ao apoio maciço do eleitorado do Nordeste, pois perdeu para o tucano Geraldo Alckmin no Sul. De qualquer forma, a pesquisa embute outro resultado que alivia, em parte, os números desfavoráveis ao chefe da nação no Brasil mais desenvolvido, mais escolarizado e de maior renda. Se desconfiam de Lula, os proprietários de títulos de eleitor dessas regiões também tendem a votar, em boa parte das capitais, em políticos de oposição aos atuais governadores.

Bem na fita estão Aécio Neves, de Minas, Eduardo Campos, de Pernambuco, e Cid Gomes, do Ceará. Transferem votos, têm popularidade alta, são bem avaliados. Vão de mal a pior os governadores Luiz Henrique da Silveira, de Santa Catarina, e Roberto Requião, do Paraná, e a governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul. Luiz Henrique e Requião cumprem uma segunda etapa no comando dos Estados e sofrem o desgaste do longo período no poder. Yeda, que se elegeu em 2006 de virada, desapontou o eleitor gaúcho deste o início e tem acumulado seguidas derrotas na Assembléia Legislativa, com conseqüente perda de credibilidade entre os habitantes locais.

O humor dos eleitores com os governantes, tanto estaduais quanto o presidente, influencia as escolhas municipais, mas nem tanto. Ao longo das campanhas, acontecimentos paroquiais que afetam o dia-a-dia dos cidadãos acabam por separar o joio do trigo e motivar o voto, especialmente nas pequenas e médias cidades. Nas metrópoles e municípios com mais de 200 mil habitantes, programas de governo, diferenças ideológicas e posições políticas assumem peso maior. Ainda há um longo tempo à frente, antes da ida às urnas, em outubro. Os partidos têm até junho para definir os candidatos. Pesquisas, como a do Datafolha, nesse período, ajudam a detectar tendências. E tornam-se bíblias para quem pretende entrar na disputa.
 

As eternas promessas parlamentares

O ano legislativo começa em fevereiro com agenda cheia de projetos, muito falatório, e certamente pouco resultado prático. Com o carnaval marcado para o início do segundo mês do ano, a trabalheira parlamentar deslancha com a pauta estabelecida, como sempre, pelo Executivo. Deputados e senadores terão de correr para votar o Orçamento da União revisto pelo Planalto depois da derrota da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Não será tarefa fácil, a depender dos cortes e do aumento de impostos que o governo federal vai promover na peça original para compensar-se da falta de R$ 40 bilhões nos cofres públicos com a extinção da CPMF. Oposição e governistas vão exercitar ad nauseam argumentos e divergências.

Depois, mais uma vez, se o Planalto cumprir a promessa e enviar ao Congresso a proposta de reforma tributária, os debates serão tomados pelos desejos do Executivo. Não se pense porém que a emenda será analisada, discutida, emendada e aprovada até o fim do ano. Com a campanha a todo vapor, Brasília tende a se esvaziar no segundo semestre quando deputados e senadores dedicarão tempo e disposição para eleger seus candidatos a prefeitos Brasil afora. Reforma, como se sabe, exige dois turnos de votação na Câmara, outros dois turnos no Senado e apoio de três quintos de representantes em cada Casa legislativa. Ou seja, o calendário eleitoral atropela o político, especialmente quando se trata de tributos, assunto que divide Estados e governadores e opõe prefeitos de hoje e de amanhã.

Fonte: Jornal do Brasil/RJ



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