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BA: Longas filas e falta de médicos nos postos de saúde

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:08 Jornal A Tarde/BA


Falta de médicos, longas esperas para o atendimento e portas fechadas. Situações desse tipo foram enfrentadas por quem precisou ir, neste domingo, aos cinco postos de saúde de Salvador visitados pela equipe de reportagem de A TARDE, em Itapuã, São Marcos, Pernambués, Boca do Rio e Tancredo Neves – este último sem funcionar.

Aguirre Peixoto, do A Tarde

Falta de médicos, longas esperas para o atendimento e portas fechadas. Situações desse tipo foram enfrentadas por quem precisou ir, neste domingo, aos cinco postos de saúde de Salvador visitados pela equipe de reportagem de A TARDE, em Itapuã, São Marcos, Pernambués, Boca do Rio e Tancredo Neves – este último sem funcionar.

A cidade tem nove postos de saúde que oferecem atendimento médico 24 horas. Além dos já citados, existem também nos bairros de Valéria, Periperi, Vale dos Barris e Pau Miúdo. Há ainda dois postos para urgências odontológicas, nos bairros da Liberdade e Dique do Tororó. Mas o atendimento, na prática, é complicado, principalmente nos fins de semana e feriados.

Neste domingo, o representante comercial Edilson do Patrocínio, 49, morador do bairro de Tancredo Neves, teve que se deslocar até o Centro de Saúde Edson Barbosa, em Pernambués, para que sua filha de 8 anos obtivesse tratamento médico. Isso porque o posto de saúde de seu bairro, segundo informações dos moradores, não funciona aos finais de semana.
 
Atendimento – Nas unidades de saúde, são atendidos casos de urgência médica que não necessitem internação, como febre alta, vômito, crise respiratória e fratura leve. As pessoas são atendidas, medicadas e retornam às suas residências. Em casos mais graves, como ferimentos à bala e crises cardíacas, os pacientes são transferidos para hospitais de maior porte, como o Geral do Estado e o Roberto Santos.

Durante a semana, em alguns casos o serviço oferecido nos postos deixa a desejar. “Vejo diariamente as pessoas chegarem aqui e saírem para outro centro médico, por falta de atendimento”, revela o motorista Getúlio da Mata, 57. Foi o caso de uma vendedora autônoma que trabalha próxima ao posto de saúde. “Já trouxe minha filha com febre alta e aqui não tinha médico”, conta ela, que precisou levar a garota de 3 anos para o Hospital Roberto Santos.

Mas no centro de saúde no bairro de Pernambués, Edilson Barbosa ficou satisfeito por ter conseguido atendimento para a filha, que vomitava desde o dia anterior. Também se diz satisfeita a contadora Agdalene Celestina, 34, que já foi várias vezes ao posto. “Pode até demorar um pouco, mas sempre somos atendidos”, afirma.

Segundo o enfermeiro responsável Edvaldo Dutra, 23, o local nunca fica sem a equipe mínima de um médico clínico e um pediatra, além dos enfermeiros. O posto de Pernambués assemelha-se ao 12º Centro de Saúde, na Boca do Rio. Ambos são bem equipados e com administração terceirizada. Diariamente, são freqüentados por um grande número de pessoas. A administração é feita pelas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).
A assistente social Andrea Melo, do posto de saúde na Boca do Rio, explica que os remédios e equipamentos são fornecidos pela Osid. “Assim não enfrentamos os problemas dos centros de saúde mantidos pela prefeitura”, afirma Andrea.

Estrutura  – No Centro de Saúde Hélio Machado, em Itapuã, a ausência de pediatras impossibilitou o atendimento do filho, de 1 ano, de Luzinete Soares, 25. O garoto tossia e vomitava e, mesmo assim, não foi atendido. Luzinete disse que iria levá-lo para uma unidade de saúde em Lauro de Freitas.

O professor de políticas da saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Tazio Lessa, adverte que os postos de saúde do tipo pronto-atendimento devem ter pelo menos um médico clínico e um pediatra. Porém, nem sempre isso é possível.

Segundo o técnico em eletrônica Amilton Mendes, 29, a demora no atendimento é decorrente do número de profissionais no Centro de Saúde São Marcos. Ele esperou mais de duas horas para que sua filha fosse atendida.  Neste momento, o posto de saúde contava com apenas um médico clínico e um pediatra para cuidar de toda a demanda dos pacientes.

Nos outros postos visitados, o quadro não era muito diferente. A exceção foi o da Boca do Rio, que tinha dois médicos clínicos, dois pediatras e ainda um ortopedista, mas a quantidade de pessoas na fila de espera ainda era grande. “Esta é a unidade mais próxima de Itapuã. Então, quem não consegue atendimento lá acaba nos procurando”, explica Andrea Melo.

A reportagem entrou em contato três vezes pela manhã e quatro pela tarde deste domingo, mas a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde não foi encontrada.




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