Em SP, eleição pode esvaziar Assembléia
Mal terminado o primeiro dos 4 anos de mandato, 41 dos 94 deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo, 43%, já pensam em sair para ser prefeitos, disputando a eleição deste ano. É o que mostra levantamento da reportagem nas 13 lideranças da Casa.
41 dos 94 deputados já pensam em disputar prefeituras este ano
Arthur Guimarães, JORNAL DA TARDE
Mal terminado o primeiro dos 4 anos de mandato, 41 dos 94 deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo, 43%, já pensam em sair para ser prefeitos, disputando a eleição deste ano. É o que mostra levantamento da reportagem nas 13 lideranças da Casa.
Eles não precisam pedir licença do cargo para fazer campanha. Isso, no entanto, afeta o ritmo dos trabalhos, já que boa parte dedica mais tempo à eleição que à atividade legislativa nesse período.
Na lista de prováveis candidatos há de deputados experientes a novatos. Alex Manente (PPS), que visa São Bernardo, e Cido Sério (PT), de olho em Araçatuba, por exemplo, iniciaram o primeiro mandato em março de 2007.
“Estou estudando, mas sempre aspirei a ser prefeito na minha cidade”, diz Manente, que deixou o mandato de vereador pelo de deputado. “Não acho que estou abandonando o eleitor. Se as pesquisas mostram que estou com boas chances, é porque a população aprova a mudança de rumo”, alega.
Até o presidente da Casa, Vaz de Lima (PSDB), pode sair. Sua assessoria admite que ele está interessado na Prefeitura de São José do Rio Preto. E a concorrência deve vir de colegas: seu antecessor na presidência, Rodrigo Garcia (DEM), e Valdomiro Lopes (PSB).
Piracicaba também pode ver um embate de deputados. O líder do PPS, Roberto Morais, é um dos cotados. Do lado petista, fala-se em Roberto Felício. “Eu é que sou realmente candidato, sou de lá. Felício é novo, não posso dizer que vai me enfrentar”, diz Morais.
Rosangela Giembinsky, coordenadora da entidade Voto Consciente, que monitora os deputados, critica a idéia. “O cidadão fica com a impressão de que está sendo traído. Ele foi votado para ser deputado por quatro anos”, reclama. “Se o parlamentar quisesse sair, mas se licenciando, dando lugar ao suplente, seria mais aceitável. Mas não é o que acontece. A campanha é feita junto com o mandato.” Ela nem costuma ir à Assembléia em época de eleição. “É um deserto. Tem gabinete que fica com porta fechada com chave”, conta.
Fonte: Jornal da Tarde
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