A crise elétrica
Membro do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Ronaldo Bicalho se diz pasmo com a falta de objetivos da discussão atual sobre a crise energética.
Membro do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Ronaldo Bicalho se diz pasmo com a falta de objetivos da discussão atual sobre a crise energética.
Para ele, a razão central da crise concentra-se no setor de gás, e não na falta de chuva ou de capacidade instalada de geração. Segundo ele, existe esta capacidade, suficiente inclusive para fazer face ao atual período de estiagem. O que não existe é gás suficiente para atender às térmicas, sem deixar de atender ao mercado industrial e automotivo (GNV). Portanto – continua Bicalho -, o problema está no setor de gás, não no setor elétrico.
A questão é que existe uma interdependência entre ambos, obrigando a se encontrar uma solução para o conjunto. Diz ele: o problema tem que ser formulado como um problema de política energética; o que implica que no seu encaminhamento não deve prevalecer simplesmente a visão do setor elétrico, mas a do conjunto.
***
Segundo Bicalho, no Governo passado, as térmicas a gás foram introduzidas, ignorando-se a características essenciais do setor elétrico brasileiro. O atual governo expandiu ainda mais o setor de gás, ignorando que a segurança do suprimento elétrico dependia do suprimento das térmicas.
Nos dos momentos, continua Bicalho, faltou coordenação, não estava presente a idéia do conjunto. Agora, é o setor elétrico que procura ignorar o setor de gás, querendo todo o gás necessário para enfrentar a atual crise.
***
Cria-se uma torre de Babel, O diretor da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) desanca o uso de Gás nos automóveis e na indústria em nome da garantia do suprimento elétrico; a indústria desanca o GNV em nome da garantia do seu suprimento de gás; os consumidores do sudeste desancam a transferência de energia feita pelo o ONS para o nordeste em nome do seu suprimento regional de eletricidade; e por aí vai. Enfim, atira-se para todos os lados, constata Bicalho.
Em sua opinião, não se salvará o setor elétrico destruindo o setor de gás; tampouco se preservará o setor de gás arrebentando com o setor elétrico.
***
Bicalho sustenta que, com coordenação, é possível que se chegue à conclusão de que o GNV (Gás Natural Veicular), ao invés de ser o grande vilão, pode ser, ao contrário, uma grande solução para a compatibilização entre os dois setores.
De um lado, os carros a gás já são bicombustíveis. Alguns além de gás e gasolina rodam também com álcool. Portanto, a flexibilidade em relação ao uso já está dada, diz ele. A logística de suprimento dos combustíveis alternativos já está montada. Portanto, pode-se negociar com esses consumidores uma interrupção do seu suprimento de gás em troca de um preço menor de gás. Antes esse suprimento era firme e de agora em diante passará a ser interruptível. “Essa prática os donos de carros flex já têm experimentado com sucesso, portanto, não estamos sendo originais”, continua.
***
Portanto, preserva-se o setor de gás, toda a atividade econômica ligada ao GNV e atende-se à flexibilidade peculiar do gás para as nossas térmicas servirem de seguro para o risco hidráulico”, conclui.
http://www.projetobr.com.br/c/document_library/get_file?folderId=48&name=DLFE-7.doc
Oi-BrT – 1
As informações veiculadas hoje pela imprensa – sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi (Telemar) – estão basicamente corretas. Mas muita água ainda vai rolar. Em um primeiro momento, serão feitos os acertos de controle. Pelas negociações, os fundos de pensão preservarão seu poder de fiscalização e de participação nos Conselhos. Saindo da BrT, não terão impedimento legal para voltar à Oi. E aí se garantirão com acordo de acionistas.
Oi-BrT – 2
Essas primeiras rodadas envolvem mais acionistas do que empresas. Um dos pontos centrais será a saída de Daniel Dantas de ambas as companhias – em igualdade de condições com os demais sócios. Depois, em uma segunda etapa, se pensará na consolidação operacional, para se obter ganhos de escala e de sinergia. Mas, no momento, toda a discussão está centrada nas novas regras de controle.
Juros na Europa
Apesar da preocupação com o desaquecimento econômico, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa básica de juros da zona do euro em 4% ao ano. A decisão reflete a preocupação do BCE com o avanço da inflação. No mesmo sentido, o Banco da Inglaterra (BoE) decidiu pela estabilidade dos juros do país, em 5,5% ao ano. Na reunião anterior, o colegiado britânico optou por reduzir a taxa em 0,25 ponto porcentual.
Emergentes = oportunidades
Para o Citigroup, os mercados emergentes, os processos de fusões e aquisições internacionais e os investimentos para conter o aquecimento global podem oferecer boas oportunidades aos executivos em 2008. Para a instituição, o crescimento de países como Índia, China e Cingapura, aliado ao apetite dos fundos soberanos do Oriente Médio por aquisições em terras estrangeiras devem prosseguir ocupando papel central nos negócios.
IPC-Fipe
A inflação apurada pelo IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), ficou praticamente estável na primeira quadrissemana de janeiro, com alta de 0,81%. No fechamento de dezembro, o índice havia subido 0,82%. Como de costume, no início do ano observa-se aumento de preços de material escolar e mensalidades.
Controle de preços
Segundo a BBC, o gabinete do Conselho de Estado do governo chinês anunciou que irá intervir temporariamente na economia, para impedir aumentos nos preços dos alimentos básicos, combustíveis e alguns services. A partir de agora, produtores, comerciantes e certos profissionais terão que consultar o governo antes de reajustar preços. Em novembro, a inflação anual chinesa bateu em 6,9%, a maior dos últimos onze anos.
Blog: www.luisnassif.com.br
Email: luisnassif@ig.com.br
Câmara e Senado fecham acordo sobre regra para MPs