Lula garante: Brasil não terá outro apagão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu, na segunda-feira, que o Brasil não corre o risco de sofrer um apagão elétrico como o que enfrentou em 2001. Segundo o presidente, “a questão energética vive de boatos”. Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula avalisou as medidas adotadas pelo ministério, há uma semana, para afastar qualquer hipótese de uma falta generalizada de energia.
Por Redação - de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu, na segunda-feira, que o Brasil não corre o risco de sofrer um apagão elétrico como o que enfrentou em 2001. Segundo o presidente, “a questão energética vive de boatos”. Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula avalisou as medidas adotadas pelo ministério, há uma semana, para afastar qualquer hipótese de uma falta generalizada de energia.
- Todo dia tem boatos de que vai acontecer isso, vai acontecer aquilo.O dado concreto é que o Brasil está seguro de que não haverá apagão e de que não faltará energia para dar sustentabilidade ao crescimento que nós queremos ter - acrescentou.
Para garantir a normalidade do abastecimento em 2008 e em 2009 e evitar um possível apagão energético, o Ministério das Minas e Energia anunciou na semana passada uma série de medidas. Entre elas, está o imediato funcionamento de seis usinas térmicas a óleo no Sudeste para não comprometer os reservatórios da região em virtude das transferências de energia que estão sendo feitas para o Nordeste e o funcionamento, na segunda semana de fevereiro, de um gasoduto no Espírito Santo que permitirá o fornecimento de 5 milhões de metros cúbicos diários de gás para o Rio de Janeiro.
Lula disse que todo o esforço para não faltar energia será feito e que a prioridade no abastecimento de gás é para a geração de energia elétrica. “Se tiver sobrando gás, nós poderemos atender os carros, poderemos atender as empresas, mas é importante definir que a prioridade é produzir energia para atender aos interesses da sociedade brasileira”, afirmou.
O presidente ressaltou que a construção da hidrelétrica do Rio Madeira vai garantir ainda mais o abastecimento de energia no país.
- Nós estamos preparados para 2009, preparados para 2010. Com o começo da construção da hidrelétrica do Rio Madeira agora, nós estamos seguros de que não faltará energia no Brasil por um bom tempo - afirmou.
Nível crítico
A escassez de chuvas no último trimestre de 2007 provocou queda acentuada no volume útil dos reservatórios do Nordeste e do Sudeste/Centro-Oeste, mas os índices são menos críticos do que os registrados no mesmo período de 2001, ano do “apagão” que provocou o racionamento do consumo de energia. Os dados comparativos são disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.
Em março de 2007 o reservatório de Sobradinho (a 556 quilômetros de Salvador, no norte da Bahia), tinha 98,62% de volume útil preenchido. De lá para cá, começou uma queda progressiva. Em outubro o índice não passava de 25,57%. Caiu para 18,77% em novembro e para 16,52% em dezembro. Apesar de baixos, os níveis recentes ainda significam certa folga em relação a 2001. Em outubro e novembro daquele ano, o volume útil no reservatório de Sobradinho era de apenas 6,3%. Foram as reservas mais baixas durante o período do apagão.
Considerando todos os reservatórios do Nordeste, o volume armazenado era de 40,15% em Outubro de 2007 contra 8,41% no mesmo mês de 2001. Até este domingo, o índice de armazenamento era de 27,12%, valor bem superior ao pior índice regional do ano do apagão (7,84% em Novembro de 2001).
Os reservatórias do Sudeste, com volume atual armazenado de 44,47%, estão em queda desde abril de 2007, quando o índice era de 86,68%. Mas teriam de sofrer mais reduções progressivas para que se configurasse situação como a de setembro de 2001, durante o apagão, quando tinham apenas 20,61% de energia armazenada, valor mais baixo da região naquele ano.
Neste domingo, o Instituto Nacional de Meteorologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) confirmou que, com exceção de regiões pontuais, vai chover mais até março do que o volume registrado no último trimestre de 2007. A expectativa das autoridades do setor elétrico é que a situação dos reservatórios volte para níveis mais razoáveis, mas o governo adotou medidas preventivas para evitar que se repita a necessidade de racionamento de energia no país.
Já estão em funcionamento 31 usinas térmicas – 25 que geram energia a gás e seis, a óleo. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquin, também ressaltou nesta semana que, de 2001 para cá, foi dobrada a capacidade de transmissão de energia do Sul para o Sudeste do Brasil e aumentada em duas vezes e meia capacidade de transmissão do Sudeste para o Nordeste.
Fonte: Correio do Brasil
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