O porto de São Sebastião
O grande desafio da modernização portuário de São Paulo não será Santos, mas o porto de São Sebastião, no litoral norte. Em julho do ano passado a gestão do porto foi transferida do governo federal para o governo de São Paulo. Era uma demanda antiga, mas que nunca se concretizava.
O grande desafio da modernização portuário de São Paulo não será Santos, mas o porto de São Sebastião, no litoral norte.
Em julho do ano passado a gestão do porto foi transferida do governo federal para o governo de São Paulo. Era uma demanda antiga, mas que nunca se concretizava. Com a criação da Secretaria Nacional dos Portos, uma pressão adicional do governo José Serra ajudou na aceleração da transferência. Em outubro foi constituída a nova diretoria, presidida por Frederico Bussinger, técnico experiente na área, com boa participação no porto modelo de Itajaí (Santa Catarina).
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O que Bussinger fez foi pegar estudos já completos ou em andamento – produzidos especialmente no âmbito da Secretaria dos Transportes, DERSA, DNER e prefeitura – e consolidá-los.
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São Sebastião existe há 40 anos e praticamente não aumentou o volume de exportações no período. São basicamente granéis (mais quantidade e menos valor) e automóveis.
Mas contém algumas vantagens expressivas, a maior das quais é a pequena distância entre o porto e a Ilha Bela. Existem poucos portos no mundo com essa conformação. A maior vantagem é que há uma maior profundidade, e correntes marítimas que impedem o assoreamento do canal.
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Os planos do estado para o porto fundam-se em três pontos principais. No plano da logística, está prevista a duplicação da Rodovia dos Tamoios e a construção de uma grande avenida, que contorne a cidade de São Sebastião – hoje em dia o caminho para o porto é também a avenida principal da cidade.
A duplicação será possível graças à licitação de rodovias estaduais, marcadas para os próximos meses. O vencedor terá que se responsabilizar pela duplicação da Tamoio. Mas, para Bussinger, o ponto central será a rodovia do contorno em São Sebastião, já que a Tamoios costuma ter pouco trânsito durante o ano.
As negociações com a prefeitura são relevantes para reduzir os níveis de conflito que costumam existir em todos os portos do mundo, entre a zona portuária e as respectivas prefeituras.
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O segundo ponto será a ampliação da área do porto, de tal maneira que permita atender a navios de vários calados. Haverá áreas com baixa profundidade, média, um peer para navios de alto calado despejar as cargas, que serão transferidas para navios de menor calado na área do porto.
Com essa conformação, o porto já se candidatou a receber o material para o gasoduto de Mexilhão. Além de se transformar em uma plataforma para as estações offshore (de prospecção em alto mar) da Petrobrás. Haverá área para barcaças, helipontos e espaço para a acomodação de todos os serviços de apoio.
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O terceiro ponto será o de desburocratizar os serviços do porto e juntar todos os setores envolvidos – público e privado – para “vender” o porto para várias cidades.
Em um porto convivem nove autoridades (da autoridade portuária a representantes da Receita, IBAMA, Ministério da Saúde etc.). Na maioria dos portos, os clientes têm que percorrer cada repartição. A idéia foi montar vários pacotes, de acordo com os tipos de produtos que serão desembarcados.
Recursos externos – 1
Uma das grandes dúvidas atuais é sobre a saída de recursos externos do país. O fluxo cambial registrou saída líquida de US$ 2,2 bilhões na primeira quinzena. No ano passado, no mesmo período houve entrada líquida de US$ 5,4 bilhões.
Segundo a carta do Credit Suisse, no final de dezembro a posição “comprada” dos bancos, em dólares, era de US$ 7,3 bilhões, o maior valor da série histórica mensal.
Recursos externos – 2
Quando alguém está “comprado” em um ativo, é porque está apostando que o ativo vai aumentar de preço. Nesse período, as operações comerciais registraram saldo positivo de US$ 1,3 bilhão, enquanto as financeiras mostraram déficit de US$ 3,5 bilhões. Parte foi resultado do menor volume de entrada de dólares – 21% menor do que em dezembro de 2007. Já o volume de saída de dólares aumentou 6%.
Recursos externos – 3
Segundo o banco, estaria havendo menor apetite ao risco por parte dos investidores externos. No início do ano, o índice “Apetite ao risco do investidor internacional”, do próprio banco, pela primeira vez, desde novembro de 2002, superou o patamar de “pânico”. Essa deterioração começou no segundo semestre do ano passado, em função da crise americana.
Recursos externos – 4
Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo voltou a sentir os efeitos da retração dos investimentos externos, em função do receio de recessão nos Estados Unidos. O Índice Bovespa caiu 2,96%. No ano, já são 11% de queda. Nos Estados Unidos, foi a vez da Merril Lynch divulgar seu maior prejuízo trimestral em toda a sua história. Os indicadores de varejo continuam apontando para o desaquecimento da economia americana.
Recessão americana
Cresce a possibilidade de um pacote fiscal nos Estados Unidos, de redução de impostos para estimular a atividade econômica. Ontem, o presidente do FED (Federal Reserve) Ben Bernanke, reforçou a defesa do pacote fiscal. Também reiterou seu compromisso em baixar as taxas de juros se for necessário. Quanto os juros, o Mercado começa a apostar em corte de meio ponto.
Demissão no Cetran
A demissão pelo governador José Serra dos doze conselheiros do Cetran (o Conselho que analisa as multas de trânsito) foi arbitrária. Serra alegou que os conselheiros estavam se recusando a considerar multas antes que houvesse uma boa sinalização na cidade. Sugeriu que por trás do conselho estaria uma indústria de placas. O Conselho estava amparado em procedimentos legais e o investimento em placas seria mínimo.
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