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Entidade defende difusão da vasectomia para planejamento familiar

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:09 Jornal A Gazeta/ES


O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, José Carlos de Almeida, defendeu, em entrevista à Agência Brasil, a disseminação da vasectomia em todo o país, como forma de planejamento familiar. O assunto teria sido abordado no final do mês passado, por representantes da entidade, em reunião com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, José Carlos de Almeida, defendeu, em entrevista à Agência Brasil, a  disseminação da vasectomia em todo o país, como forma de  planejamento familiar. O assunto teria sido abordado no final do mês passado, por representantes da entidade,  em reunião com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

José Carlos de Almeida lembrou que em 1970 a população brasileira somava 90 milhões de pessoas. Hoje, esse  número mais que duplicou.  Nesse sentido, afirmou que “o planejamento familiar  do governo é fundamental para que haja uma programação. Para que esse país  possa realmente organizar certos setores, que sem um planejamento familiar é impossível fazer”.

Entre todas as estratégias do programa de planejamento familiar, Almeida assegurou que a vasectomia surge como um item muito importante, integrando o rol de procedimentos da urologia.

“Nós temos que sensibilizar a população, mostrando que o método da vasectomia em homens acima de 25 anos, com dois filhos ou mais, está dentro da portaria do governo. E ele pode fazer um procedimento anticoncepcional barato, relativamente simples,  pouco traumático, que não vai gerar nenhum transtorno para o organismo desse indivíduo”.

O presidente da SBU frisou, também, que “qualquer vasectomia pode ser revertida”. Ele admitiu, porém, que após cinco anos de vasectomizado, o organismo pode criar anticorpos contra o espermatozóide daquele indivíduo. Então, a chance de sucesso na  fertilidade vai depender da parte imunológica do homem.

José Carlos de Almeida  informou, ainda, que a vasectomia feita pelo Sistema Único de Saúde  faz parte do projeto de um programa amplo de planejamento familiar. 

Falta de higiene eleva incidência de câncer de pênis no Brasil

A falta de higiene entre os homens pode levar a  uma doença muito comum e pouco divulgada: o câncer de pênis. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alertou para a importância de divulgar a necessidade higiene entre os homens de todas as idades

Segundo o presidente da SBU, José Carlos de Almeida, os homens com fimose podem se enquadrar no grupo de risco para câncer do pênis. Por fimose, entende-se a dificuldade  ou impossibilidade de expor a glande (cabeça do pênis) porque a pele que a recobre tem um anel muito estreito. Normalmente, esse problema se resolve com uma cirurgia feita ainda na infância.

“Aquela criança com fimose que não opera, que mora em local às vezes com pouco acesso a profissionais de saúde, vai chegar aos 45 ou 50 anos e vai  aparecer ali um câncer de pênis. Porque aquela glande nunca foi exposta e nunca foi higienizada”, explicou o especialista.

Almeida disse que a fimose não permite que se lave adequadamente a glande, porque ela está toda coberta por uma pele. “Então, aquelas secreções e elementos produzidos pelas glândulas jamais saem dali. E  aquilo, ao longo do tempo, é um grande fator  para o câncer de pênis”.

O presidente da SBU afirmou que essa doença não devia existir. “Na verdade, é uma doença completamente evitável com educação, com higiene e com diagnóstico da fimose. Operando a fimose, você está gerando uma prevenção do câncer de pênis”, garantiu.

O Brasil é um dos líderes mundiais na incidência de câncer de pênis, depois da Índia e  da África. No Brasil,  a relação  é de um caso para 100 mil habitantes. Na Índia, a incidência é de 3,32 casos para 100 mil habitantes. A menor incidência  é encontrada entre os judeus nascidos em Israel, próxima a zero. A circuncisão néo-natal, isto é, feita na criança,  reduz  em quatro vezes a chance de o indivíduo contrair essa doença.

O presidente da SBU declarou que todo esforço deve ser feito para erradicar a doença do Brasil. “Temos que abolir  [o câncer de pênis] da nossa realidade, porque é um termômetro muito ruim para o perfil de um país”. Ele revelou que na Europa e Estados Unidos, essa doença aparece de forma muito esporádica. “Nós temos que dar uma dignidade maior a esse paciente e ao país, eliminando essa doença do cenário nacional”, sugeriu.

José Carlos de Almeida informou que  os números  disponíveis sobre a incidência dessa doença no Brasil não correspondem à realidade. “Os números  são muito aquém da realidade. São em torno de 1,1 mil amputações por ano nos homens, totais ou parciais, em função do câncer de pênis”. Os casos de amputação aumentam 10%  a cada ano no Brasil.

O presidente da SBU disse, ainda,  que  a divulgação da doença é problemática porque as grandes regiões que  registram casos de câncer de pênis  têm dificuldade de fazer as notificações.  “Nós acreditamos que exista muito  paciente com câncer de pênis  sem estar  sendo notificado”, avaliou.

A maior incidência da doença é no Nordeste e, dentro da região, a maior prevalência é no estado do Maranhão, associada à falta de higiene e ao aspecto da presença da fimose.  "A fimose é o grande fator anatômico que impede o paciente de higienizar o pênis. A grande maioria dos pacientes  que tem  câncer de pênis  é portadora de fimose, está já idosa e nunca teve  condição de expor a glande para poder higienizar”, revelou o urologista.

Almeida defendeu que a urologia possa atuar na prevenção dessa doença em harmonia com a assistência básica à população. Ele acredita que a criação agora, pelo Ministério da Saúde, de um setor  específico de atenção à  saúde do homem  pode “revolucionar o papel da urologia  e do paciente urológico, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), porque a urologia depende de infra-estrutura e aparelhos para funcionar e ser uma especialidade plena”.

Na avaliação do presidente da SBU, a urologia  poderá contribuir com o ministério nesse setor da saúde do homem, em especial  no que se refere a doenças pouco divulgadas e pouco tratadas da forma que deveriam. Entre elas, destacou o câncer de pênis e as doenças genitais masculinas.

Brasil poderá exportar gel que previne infecções do vírus HIV

O Brasil poderá exportar, principalmente para países da África, o gel vaginal desenvolvido a partir de algas marinhas para prevenir infecções do vírus HIV, causador da aids. A afirmação é da professora de Biologia Marinha Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que disse que é necessário comprovar se o produto não é tóxico e se é eficaz em seres humanos. Com esses testes prontos, “o Brasil poderá exportar, com certeza”, afirmou Valéria.

A especialista conseguiu isolar o composto químico (dolabelladienetriol) extraído da alga marinha parda, encontrada em grande parte da costa brasileira. O composto foi transformado em um gel pelo professor Luiz Roberto Castello Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da  Saúde, parceiro no projeto.

O gel vaginal funciona como um preventivo contra a aids em relações sexuais. “O certo é usar com a camisinha”, disse Valéria Teixeira. Ela acrescentou, porém, que em alguns países, como a África, o uso da camisinha é quase um tabu.

“Então, a gente  está procurando sempre um produto que a mulher possa passar e que o homem nem tenha conhecimento. Porque nessas sociedades, principalmente nos países onde a aids adquire um caráter epidêmico, você tem as mulheres sem muita voz e o machismo imperando. E, geralmente, o homem não quer usar a camisinha. Então, a gente faz muita pesquisa voltada para a mulher, como um fator de prevenção”, declarou a especialista.

O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes em camundongas. Mas, para que o gel vaginal possa ser comercializado é necessário que sejam feitos também testes clínicos,  isto é, em pacientes com aids. Valéria Teixeira informou que deverão ser efetuados testes em células humanas de colo de útero. A previsão é de que a fase clínica tenha início em 2009 ou 2010.

A pesquisadora afirmou que o produto também poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em programas de prevenção contra a aids. O ministério tem apoiado o projeto, inclusive em termos financeiros.

“Interessa muito ao Brasil  usar uma droga nacional para o coquetel que é dado aos pacientes de aids. O custo é muito alto. Então, se nós tivéssemos  um produto nacional para usar, seria muito bom. E o ministério tem dado apoio e incentivo que a gente precisa para trabalhar”, afirmou Valéria Teixeira.

O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta um custo elevado devido à substância ativa coletada da alga. Valéria Teixeira revelou, porém, que o Instituto de Biologia da UFF já está desenvolvendo estudos, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para cultivar essa alga.

A idéia é que o produto possa ser obtido de maneira mais rápida, sem degradar o meio ambiente. “O que a gente quer é ter a substância sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o desejável”, afirmou.



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