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Brasil zera a dívida externa

por Sylvio Micelliúltima modificação 24/02/2008 22:06 Jornal do Commercio/SP


BRASÍLIA – Pela primeira vez na sua história econômica, o Brasil deixou de ser devedor e passou a ser credor externo. O feito aconteceu em janeiro e foi anunciado ontem pelo Banco Central (BC). Segundo relatório do BC, baseado em dados preliminares, os ativos brasileiros no exterior superaram o total da dívida externa pública e privada em mais de US$ 4 bilhões no mês passado.

BRASÍLIA – Pela primeira vez na sua história econômica, o Brasil deixou de ser devedor e passou a ser credor externo. O feito aconteceu em janeiro e foi anunciado ontem pelo Banco Central (BC). Segundo relatório do BC, baseado em dados preliminares, os ativos brasileiros no exterior superaram o total da dívida externa pública e privada em mais de US$ 4 bilhões no mês passado. O aumento das reservas internacionais em ritmo “sem precedentes” nos últimos meses e a antecipação de pagamentos da dívida externa permitiram ao Brasil deixar a posição devedora para ser credor de outros países. O anúncio reforçou rumores de que o Brasil está perto de atingir o grau de investimento e ontem o dólar fechou a R$ 1,71, menor valor desde maio de 1999.

A dívida interna sofreu redução, mas continua elevada. O recuo foi de R$ 21 bilhões em janeiro, mas o volume total ficou em R$ 1,204 trilhão. Na avaliação do ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, agora que o Brasil é credor externo, precisa se esforçar para reduzir a dívida pública interna em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

O relatório do BC foi publicado na página do BC na internet, mas dados completos serão divulgados apenas na próxima segunda-feira. Em nota divulgada à noite, o presidente do BC, Henrique Meirelles, comemorou o feito externo. “A melhora significa que estamos superando um longo período caracterizado por vulnerabilidade e crises, causadas principalmente pela dificuldade em honrar o passivo externo do País”, afirma Meirelles.

O relatório do BC lembra que a dívida externa líquida – resultado da diferença entre a dívida total e os ativos brasileiros no exterior – era de US$ 165,2 bilhões no início de 2003, período que coincide com o começo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, o indicador cai anualmente e em ritmo cada vez maior até a inversão dos sinais em janeiro.

O grande motivo para a melhoria dos indicadores externos foi o aumento das reservas, que tiveram nos últimos anos, ressalta o BC, que passaram “de US$ 16,3 bilhões em 2002, quando excluídos os empréstimos do FMI, para US$ 180,3 bilhões ao final de 2007”. Só em 2007, elas saltaram 110,1%. O relatório explica que o reforço das reservas foi obtido graças à sobra de dólares no País, o chamado superávit do mercado, que foi de US$ 150 bilhões entre 2003 e 2007. Boa parte desse dinheiro foi comprado pelo BC para compor as reservas. Em cinco anos, as compras do BC somaram US$ 141,3 bilhões, dos quais 55,6% apenas em 2007.

Outro fator que explica a posição credora do Brasil está na própria dívida externa. Nos últimos anos, o governo aproveitou a forte liquidez da economia mundial para antecipar uma série de pagamentos. Nesse período, por exemplo, o governo zerou a dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e resgatou antes do vencimento uma série de títulos que foram emitidos na renegociação da dívida externa brasileira de 1994.

Fonte: Jornal do Commercio



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