As oportunidades econômicas
Sem estrutura ainda em seu Ministério, em seus primeiros meses Roberto Mangabeira Unger – do Ministério do Planejamento Estratégico – concentrou-se no trabalho de levantar conceitos que servirão para balizar cada área de atuação do governo
Sem estrutura ainda em seu Ministério, em seus primeiros meses Roberto Mangabeira Unger – do Ministério do Planejamento Estratégico – concentrou-se no trabalho de levantar conceitos que servirão para balizar cada área de atuação do governo
Como mencionei em coluna anterior, foram definidas quatro áreas prioritárias:
1. Oportunidades econômicas.
2. Oportunidades educativas
3. Amazônia.
4. Política de Defesa
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Em relação às Oportunidades Econômicas, a idéia básica é uma política industrial e agrícola de inclusão, voltada para pequenos empreendimentos industriais e agrícolas.
Segundo Mangabeira, agricultura deve ser vista como paradigma. Idéias sobre alternativas industriais, em muitos paises, surgiram a partir da organização agrícola.
É o caso da agricultura familiar no século 19, nos Estados Unidos, que se desenvolveu na base da coordenação estratégica entre governo e produtores, através do modelo concorrencial cooperativo entre produtores. Ou seja, eles se organizavam de forma cooperativa, mas competiam no mercado.
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A política industrial tradicional brasileira tem corte histórico meio coreano, constata Mangabeira. Vale-se do dinheiro do trabalhador no FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), via BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e o financiamento é entregue a supostos campeões mundiais.
Sem pretender contestar essa política, Mangabeira propõe que se construam alternativas em paralelo, visando os pequenos empresários.
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Esse apoio ao pequeno e micro empresário se dá através de três componentes.
1. Aconselhamento gerencial.
É a parte mais difícil. Mas o Brasil conseguiu avançar bastante através do Sebrae.
2. Ampliação de crédito ao pequeno produtor.
Hoje em dia, Mangabeira vê o risco de se aceitar o discurso da massificação do crédito ao consumo como substituto fácil da tarefa mais difícil de ampliar acesso e oportunidades aos instrumentos de produção.
Mangabeira sustenta que, pela experiência histórica, a popularização do consumo precisa ser antecedida pela oportunidade de acesso aos créditos à produção.
No momento, está trabalhando com os bancos públicos para entender o que é necessário para avançar mais ainda no crédito ao pequeno produtor.
3. Transferência de praticas avançadas associadas as tecnologias avançadas para empreendimentos emergentes.
O caminho será investir na idéia de uma Embrapa industrial, em formato de rede, para extensionismo tecnológico.
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Há duas travessias a serem completadas. No centro industrial do país, acelerar a passagem para o “além do fordismo”. “Fordismo”, no caso, é o sistema de produção seriado, base da indústria convencional. Os novos modelos passam pela montagem de trabalhos em rede, arranjos produtivos e formas modernas de relacionamento da cadeia produtiva.
Para os centros menos desenvolvidos, o desafio será passar diretamente do pré-fordismo para o pós-fordismo.
A idéia, no caso, é ajudar os estados a organizar o extensionismo estadual, com as cooperativas do setor privado fazendo esse trabalho.
Em colunas futuras, abordaremos outros aspectos desse projeto.
As contas externas – 1
A economia caminha para a mesma armadilha do governo Fernando Henrique Cardoso: conta corrente negativa e conta financeira positiva. A conta corrente – que junta balança commercial, remessa de lucros, dividendos e juros ao exterior – registrou deficit de US$ 4,232 bilhões, o pior resultado desde 1998. Já os investimentos estrangeiros registraram US$ 4,814 bilhões, maior valor mensal da série.
As contas externas – 2
1. Entram dólares pelo mercado financeiro. 2. O excesso de dólares aprecia o real. 3. A apreciação do real aumenta o déficit na conta corrente. 4. Por sua vez, a apreciação do real atrai mais dólares financeiros, que ganham com esse movimento. Cria-se um moto-contínuo, até que o déficit da conta corrente entra na zona de risco. Quando isso ocorre, há uma fuga dos dólares que entraram via mercado financeiro.
As contas externas – 3
O movimento financeiro provocou nova valorização do real, que fechou cotado a R$ 1,706. É questão de dias para que, rompido o piso de R$ 1, 70, o dólar passe a experimentar o novo piso de R$ 1,60. Principalmente se aumentarem os rumores de que o país poderá obter o chamado “grau de investimento”. Nesse caso, haverá uma inundação de dólares na economia, apreciando ainda mais o real.
As contas externas – 4
A deterioração das contas externas também visou visível na conta turismo. Em Janeiro os brasileiros gastaram US$ 975 milhões no exterior, crescimento de 70% em relação a Janeiro do ano passado. Na outra ponta, o turismo externo rendeu US$ 595 milhões ao país, 23% a mais do que em janeiro de 2007. O resultado final foi um deficit de US$ 380 milhões, contra US$ 90 milhões em janeiro de 2007.
O ABN-Santander – 1
A compra do ABN-Real pelo Santander trouxe dúvidas sobre quem iria dirigir o super-banco. Ontem foi escolhido o presidente do ABN-Real, Fábio Barbosa. Há tempos, Barbosa é visto como um dos principais executivos do sistema bancário. Até hoje, o Santander ainda não havia conseguido tirar toda vantagem da extraordinária força que acumulou – com a aquisição do Banespa, Sudameris, ABN, entre outros.
O ABN-Santander – 2
Com a indicação de Fábio Barbosa, passa a ser sério candidato à liderança do sistema bancário nacional. À frente do ABN-Real, Barbosa conseguiu casar eficiência, rentabilidade, com conceitos modernos de respeito à diversidade e ao meio ambiente. Internamente, na avaliação de um alto executivo de um banco concorrente, construiu o melhor ambiente interno dentre todos os bancos comerciais do país.
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