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Para MPF, parlamentares e funcionários do BNDES podem estar envolvidos em esquema de fraudes

por Sylvio Micelliúltima modificação 05/05/2008 22:04 Agência Brasil


Parlamentares, funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e pelo menos onze prefeituras paulistas podem estar envolvidos com o esquema de fraudes em financiamentos do banco, prostituição e tráfico de pessoas, investigadas na operação de Santa Tereza, da Polícia Federal. A afirmação foi dada, na tarde de hoje (05), pela procuradora da República Adriana Scordamaglia, na sede do Ministério Público Federal em São Paulo.

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Parlamentares, funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e pelo menos onze prefeituras paulistas podem estar envolvidos com o esquema de fraudes em financiamentos do banco, prostituição e tráfico de pessoas, investigadas na operação de Santa Tereza, da Polícia Federal. A afirmação foi dada, na tarde de hoje (05), pela procuradora da República Adriana Scordamaglia, na sede do Ministério Público Federal em São Paulo.

A procuradora afirmou que os funcionários do BNDES, ainda não identificados, foram citados nas interceptações telefônicas e também existem pessoas, igualmente ainda não identificadas pela polícia, que trocaram e-mails com os envolvidos e que serão investigadas.

A operação da Polícia Federal investigou uma organização crimininosa, que fazia uso de pessoas com influência política no BNDES, para conseguir a liberação de empréstimos para prefeituras e empresas, e que se aproveitavam de projetos falsos elaborados por uma empresa de consultoria. O dinheiro recebido do BNDES era usado em uma casa de prostituição e de tráfico de mulheres, em São Paulo, e então era legalizado (ou "lavado").

Nessas investigações, foram comprovadas fraudes em pelo menos três financiamentos solicitados junto ao BNDES: dois para melhorias na rede varejista Marisa e outro para obras da prefeitura de Praia Grande, na Baixada Santista. “Apenas nesses três empréstimos, os envolvidos receberam R$ 2 milhões de propinas”, disse Adriana Scordamaglia.

De acordo com a procuradora, as investigações da Polícia Federal também apontam para a participação no esquema do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. “A suspeita é que ele faz parte também do desvio de verbas do BNDES”, disse. Segundo ela, a suspeita de participação do deputado surgiu quando o nome Paulinho foi citado mais de uma vez durante o monitoramento telefônico.

“Há indícios de que seja ele pelas ramificações das investigações. Na verdade, em algumas vezes não foi só citado o nome Paulinho. O nome foi citado em um contexto em que se faz supor que seja ele”, afirmou a procuradora.

O BNDES informou hoje que ainda não foi notificado pelo MPF a respeito “de qualquer suposto envolvimento de funcionários do banco nesse caso” e disse que só se pronunciará depois da notificação.

Já a Força Sindical, em nota, afirmou que o deputado Paulo Pereira da Silva está “sendo vítima, mais uma vez, de implacável perseguição política, cujo único objetivo é impedir que mantenha, como sempre, sua independência política e sua luta incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores brasileiros” e que as denúncias “são descabidas”. Por ter foro privilegiado, o deputado só poderá ser investigado caso haja autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na tarde de hoje, a Agência Brasil e a TV Brasil estiveram na sede da Força Sindical, em São Paulo, para tentar entrevistar o deputado Paulo Pereira da Silva, que esteve em reunião durante todo o dia de hoje no local. O deputado se recusou a falar com a imprensa e um assessor informou que Paulinho deve se pronunciar somente amanhã (06), depois da reunião com o seu partido (PDT), em Brasília.




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