Capitalização da Petrobras pelo governo pode diminuir influência de outros acionistas, diz Apimec
O aumento da participação do governo no capital da Petrobras, por meio da aprovação da capitalização da companhia, pode ser recebido...
Rio de Janeiro - O aumento da
participação do governo no capital da Petrobras, por
meio da aprovação da capitalização da
companhia, pode ser recebido de uma maneira negativa pelo mercado,
em um primeiro momento. O fato, que poderia ser
considerado negativo, é que o reforço do controle
estatal pode diminuir a influência dos acionistas privados da
Petrobras.
A avaliação é da presidente da Associação
dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais
(Apimec Nacional), Lucy Aparecida de Sousa. “O mercado tem um viés antiestatal”, disse
hoje (31), em entrevista à Agência Brasil.
Ela ponderou, contudo, que é necessário conhecer mais a fundo a questão para ter uma opinião mais bem formada. Lucy de Sousa explicou que, embora o aumento de capital da Petrobras signifique que o governo vai ampliar a sua participação na empresa, ele também estará injetando recursos na companhia.
O analista e o investidor terão que pensar que, em primeiro lugar, a empresa vai ficar com seu controle mais estatal porque o governo é o seu maior acionista. “Se isso é bom ou ruim para o investidor, vai depender das razões que levam o governo a fazer isso”.
A presidente da Apimec afirmou que, do lado financeiro, a medida trará mais recursos para a Petrobras investir no pré-sal. Ela alertou para a necessidade de se analisar se isso vai trazer frutos para a companhia. Nesse caso, é positivo para todos os investidores da empresa, incluindo os estrangeiros.
Se os investimentos no pré-sal derem resultado, todos os investidores participarão do lucro, “na proporção do capital que eles já têm”. Lucy de Sousa admitiu que o preço das ações da estatal pode cair “até como uma reação imediata, não amadurecida, até por falta de informação”.
Para o diretor institucional da Apimec do Rio de Janeiro, Eduardo Werneck, a capitalização da Petrobras é um bom negócio para o investidor minoritário. “Na medida em que ele acredite na empresa e subscreva as ações, é um bom negócio para ele. Mas, se ele não subscrever as ações, vai perder participação na empresa. Isso não é bom. Tem que acreditar na empresa que tem perspectivas boas de longo prazo. E eu acho que ninguém duvida disso”, observou.
Werneck afirmou que, no curto prazo, podem ocorrer flutuações negativas e positivas para a empresa, em razão da situação ainda indefinida do pré-sal. Para ele, o investidor deve estar atento também para a questão do preço em que for feita a subscrição das ações, que deve ser competitivo.
“A olho cego, sem saber qual é o preço de subscrição, eu não vejo como bom para o investidor”, argumentou. A capitalização prevista na proposta do governo para exploração da camada pré-sal é de R$ 100 bilhões, conforme anunciou hoje o ministro de Minas e Energia, Edison Lobao, na cerimônia em que foram apresentados os projetos com as regras de exploração do pré-sal.
Como reguladora do mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não se pronunciou sobre a abertura de capital da Petrobras, para não induzir o investidor a tomar decisões, conforme esclareceu a assessoria do órgão.
As atividades de
exploração do pré-sal poderão vir a ser
financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES). Segundo a
instituição, o presidente do banco, Luciano Coutinho,
tem declarado reiteradamente a disposição de estimular
o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional voltada para o
pré-sal, a partir de projetos que utilizem tecnologia de
ponta.