Brasil sai da crise como protagonista do processo econômico mundial, diz consultor
Depois de um ano envolto pela crise financeira que abalou todas as economias, o Brasil sai de dois trimestres de depressão...
Brasília - Depois de um ano
envolto pela crise financeira que abalou todas as economias, o
Brasil sai de dois trimestres de depressão econômica com a
credibilidade externa em alta, de acordo com o presidente da Trevisan
Consultoria e Gestão, Antoninho Marmo Trevisan, que também faz
parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Ele disse que saiu de
recente encontro com autoridades europeias, em Bruxelas, na Bélgica,
com a sensação de que “vivemos agora uma situação em que somos
protagonistas do processo econômico, e não mais coadjuvantes”.
Existe, segundo ele, uma percepção clara, lá fora, de que o Brasil
construiu uma rede de proteção social e econômica eficaz, em
alicerces bem estruturados.
No seu entender, essas
bases permitem atender rapidamente as demandas a que a “catastrófica
especulação mundial nos levou e cuja explosão sentimos mais forte
a partir de setembro do ano passado”, com a falência do banco
norte-americano de investimentos Lehman Brothers, que levou à
quebradeira de bancos menores, nos Estados Unidos e na Europa.
Segundo ele, a
atratividade do Brasil para investimentos externos é crescente, com
mais divisas para o país e a consequente manutenção da cotação
do dólar norte-americano em baixa. Sua atenção se volta, pois,
para o cenário interno, onde se deve “eliminar gorduras, estimular
a pesquisa e o desenvolvimento, não apenas na tecnologia eletrônica,
mas sobretudo na capacitação humana”.
Defensor da redução
do spread bancário (diferença entre as taxas cobradas pelos
bancos na captação e na concessão de empréstimo) que, segundo
ele, são mantidos em “patamares incrivelmente elevados”,
Trevisan defende a necessidade de juros mais baratos para garantir
crédito ao setor produtivo, com mais emprego e renda para o
trabalhador.
De acordo com ele, as
corporações melhoraram seus processos de gestão e governança, os
consumidores estão mais atentos e exigentes na hora de gastar, a
retomada da economia mundial se dá hoje em novas bases. Portanto,
governo e sociedade civil devem somar esforços para o crescimento
estrutural do país, destacou Trevisan à Agência Brasil, ao
analisar o primeiro ano da crise financeira.
Perder essa
oportunidade, acrescentou, “pode significar anos de retrocesso
diante de perspectivas extremamente positivas de crescimento
propiciadas por nosso mercado consumidor em expansão e por nosso
tradicional empreendedorismo”.