Defesa de Battisti espera que voto de Marco Aurélio mude rumo do julgamento no STF
Após o pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu o julgamento no plenário do Supremo Tribunal...
Brasília - Após o pedido de
vista do ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu o julgamento
no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) do processo de
extradição, ajuizado pelo governo da Itália, do escritor e
ex-ativista político Cesare Battisti o advogado Luís Roberto
Barroso disse acreditar que o voto de Mello altere o placar
momentaneamente desfavorável ao seu cliente. Barroso assumiu há
alguns meses a defesa do ex-ativista político, preso preventivamente
no Brasil desde março de 2007 e beneficiado por refúgio concedido
pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em 13 de janeiro deste ano.
“Ele [Mello]
claramente antecipou a posição dele, que não foi formalizada
porque ainda vai estudar. É um ministro experiente, competente,
de grande capacidade de interpretação e penso que na volta do voto
dele consigamos virar algum outro voto”, assinalou Barroso.
Em seu país de origem,
Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993, em julgamento à
revelia, pela suposta autoria de quatro assassinatos entre 1977 e
1979, quando militava organização de esquerda Proletários Armados
pelo Comunismo.
O placar momentâneo é
de três votos pelo arquivamento do processo de extradição – dos
ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia – com
consequente expedição de alvará de soltura para Battisti, e
quatro pelo deferimento do pedido do governo italiano – do
ministro Cezar Peluso, relator do processo, e dos ministros Ricardo
Lewandowski, Ayres Britto e Ellen Gracie.
Faltam votar apenas
Marco Aurélio Mello e o presidente do STF, Gilmar Mendes. O
ministro Celso de Mello alegou impedimentos pessoais e não participa
do julgamento. O ministro Menezes Direito, que compunha a Corte até
a última semana, faleceu em decorrência de um câncer. Há
controvérsias se o seu substituto, a ser indicado pelo presidente da
República, poderá votar na questão quando ela retornar ao
plenário.
O advogado de Battisti
estuda propor uma questão de ordem para impedir o voto do presidente
do STF, Gilmar Mendes, no caso. Mendes já sinalizou em algumas
considerações um provável voto em favor da extradição.
“No processo criminal
do habeas corpus o presidente não vota e o empate é a favor
do réu. Então, talvez o argumento possa ser aplicado à extradição
de um homem que vai ser remetido para cumprir a prisão perpétua. O
empate deveria ser no sentido de não mandar este homem que não
participou daquelas mortes para cumprir prisão perpétua na Itália
30 anos depois do último episódio, até por razões humanitárias”,
argumentou Barroso.
Segundo Barroso,
Battisti certamente ficará frustrado em não poder deixar logo a
Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, mas “tem que fazer
um esforço de serenidade” para aguardar a decisão final do STF.
Já o advogado
contratado para representar o governo da Itália no processo de
extradição, Nabor Bulhões, disse confiar que o STF confirmará o
acolhimento do pedido de extradição em decisão que vinculará o
presidente da República a segui-la.
Do lado de fora do
tribunal , manifestantes pró Battisti cantaram : “STF, que
ironia, manter preso político em 30 anos de anistia”.